manuelcarreiro

O que estão dizendo sobre OS PEQUENOS DEUSES DA TRAPAÇA (atualizado em 17 de Março)

In a literatura e a vida on March 17, 2010 at 5:00 pm

As histórias de Manuel Carreiro pertencem ao gênero milenar dos contos filosóficos e fazem jus à sua tradição. Tematizam questões cruciais sobre a existência e o ser em tom leve, bem humorado e principalmente irônico. É esta ironia que garante a cada conto a condição suspensiva tão cara ao ceticismo filosófico: deixa-se no ar o juízo sobre qualquer verdade porque, como diz um dos contos, “não há a menor diferença entre correr e não se movimentar”, isto é, não há a menor diferença entre saber e não saber ou entre não ter nascido e morrer. O que inspira Manuel Carreiro parece ser o lema flusseriano: “scribere necesse est, vivere non est” – “escrever é preciso, viver não é preciso”. Ler estes contos é não apenas um refresco contra a rigidez e o dogmatismo das demais palavras que nos cercam como também o seu antídoto.

Gustavo Bernardo – Doutor em Literatura Comparada – Prof. de Teoria da Literatura na UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

***

Rogério Felipe, psicólogo (escreve o blog brasileiro New Nomadology) também postou um link ajudando na divulgação, e disse que irá postar as suas impressões sobre o livro em breve!

***

Agradeço ao poeta português José Maria de Aguiar Carreiro por divulgar  meu livro no site LUSOFONIA (A capa do meu livro encontra-se na barra à direita no site).

***

CARO MANUEL CARREIRO,

Gostei muito do seu livro, da cosmologia inicial sobre o tempo longuíssimo que temos de remontar para chegar à sagração da origem, ao intemporal. Origem que do fortuito fez a aparente necessidade e finalidade das coisas presentes.
Gosto da forma como descreve a dimensão trágica do amor (o seu livro traz-no a noite dos afectos negros), que vive numa ebulição caótica sem redenção. Até porque o eu se desmultiplica tanto que desaparece.
Dentro do mundo literário, do “mercado” como se costuma designar, terá, no entanto, a dificuldade de ser uma escrita muito intimista, difícil de receber, porque, e isso sente-se muitas vezes, difícil de comunicar. Parece-me uma Stimmung da relação que mantém consigo próprio. É uma viagem iniciática — não veja nada do que digo como um imperativo, trata-se apenas da minha percepção subjectiva —, parece escrever mais para si do que para os outros. É um viandante à procura da sua própria centelha. Aliás, a citação de Zaratustra no final é absolutamente paradigmática.
Além disso, faz um exercício bastante recorrente de metatexto, de reflexão sobre esse acto genésico, cósmico que é a escrita. Esta contaminação um pouco filosófica também dificulta a recepção. Exemplo da bela encenação filosófico-literária do non-sense ontológico em o “Eterno Retorno”. Convocação de personagens que estão no estrato obscuro do sem sentido, argumentando, como em Nietzsche, o que apenas devia ser vivido. Aliás, o absurdo resulta muito da tentativa de exprimir o ininteligível. O Trágico também habita aqui.
Espero que tenha todo o sucesso que merece, e percebendo que ainda procura afinar a sua voz, e mão, estética, desejo-lhe também a força da perseverança, sem a qual nada de grande ou de belo se consegue fazer.
Com estima e admiração
Victor Gonçalves
(autor do blog português Declínio da Escola, enviado por e-mail)
***

Manuel,

Dei uma passada de olhos em seu livro e me parece uma obra escrita de forma reflexiva e cuidadosa. Acho que você acrescentou à edição certo humor em pequenos detalhes que dão à obra um tempero de nós moscada. Isso é bom. Eu realmente acredito que a Literatura lusófona está sendo escritas por guerrilheiros como você. Talvez, daqui alguns anos, as pessoas falem de uma cena literária dessas primeiras décadas do séc. XXI, como um período criativo que encerrou a aridez de talentos e temas que se seguiu ao fim dos regimes ditatoriais e ao fim do mundo bipolarizado.

Fernando de F.L. Torres

(do site brasileiro Arlequinal, enviado por e-mail)

***

Boas Novas!

Uma ótima novidade em literatura e filosofia!!

Wellington Machado

(no blog brasileiro Esquinas lúdicas).

Compre OS PEQUENOS DEUSES DA TRAPAÇA!

In a literatura e a vida on March 10, 2010 at 8:25 am


E-book em formato PDF – venda exclusiva pela internet

R$ 14,99

Para comprar:

Clique no botão ao lado e compre imediatamente! Assim que o valor for creditado na conta, o livro será enviado por e-mail. Peça já o seu exemplar! Todos os cartões são aceitos!

Literatura é literatura impressa no papel, em arquivo virtual, rascunhada num guardanapo, inscrita num tronco de árvore. Foi-se o tempo em que ser publicado por uma editora de renome legitimava a boa qualidade (ou não) de um artista.

Muita gente reclama que a liberdade de se auto-publicar, seja pela internet ou pelas gráficas, culminou numa série de maus livros lançados. Eu não vejo isso como um problema. Afinal, há gosto para todos os tipos de literatura – a literatura séria, densa, reflexiva, a literatura fácil, que entretém por algumas horas, alguns dias, a literatura informativa. No fim das contas, é o gosto da recepção que define se a obra será para sempre lembrada ou rapidamente esquecida.

Com o advento das novas tecnologias, ficou mais fácil divulgar a sua obra. E o leitor tem liberdade total para ler a obra da forma que ele melhor entender.

Se você for um leitor tradicional que gosta do papel, pode imprimir o e-book e encaderná-lo.

Se você é adepto dos leitores eletrônicos (Kindle, Sony Reader, etc.), basta instalar o arquivo em PDF no seu leitor.

Se você lê sem problema algum no computador, ótimo! Basta abrir o arquivo em formato PDF e partir pra leitura!

*Se você gosta de literatura contemporânea, adquira o meu novo livro, OS PEQUENOS DEUSES DA TRAPAÇA.

*Se você possui um site ou escreve para alguma revista literária ou blog, ajude a divulgar o lançamento do novo livro – escreva um post, uma nota, deixe um link!

Ficarei agradecido para sempre.

O autor.

Arte e capitalismo: uma introdução

In a literatura e a vida, a vida e a literatura on February 23, 2010 at 1:59 pm

O artista apela à parte do nosso ser que é um dom, e não uma aquisição – e, portanto, é a nossa parte mais perene.

Joseph Conrad

Publiquei prematuramente. Desde criança eu tinha verdadeira paixão por livros e gibis. Quando comecei a montar uma coleção para mim, o meu pai me perguntou se eu só colecionaria coisas que os outros escreviam, ou se também escreveria minhas próprias coisas. Então comecei a escrever e desenhar meus próprios gibis e também a escrever e ilustrar meus livrinhos de aventuras.

Certo dia resolvi mostrar um desses meus livrinhos para a minha professora de português. Naquele tempo, eu ainda estava aprendendo a nova língua (sou falante nativo do inglês). Dei o livro para minha professora e pedi a ela para corrigi-lo. Algumas semanas depois, ela me disse que o colégio gostou muito da iniciativa e queria publicar o meu livro.

Recebi uma menção honrosa do Colégio, tive que reescrever o livro e desenhar novas ilustrações. Tive uma tarde de autógrafos. Fui aplaudido no “momento cívico”. Todos os estudantes da minha série ganharam um livrinho. As outras séries receberam um livrinho por turma. O livro foi parar na Bolívia, acho que também no Uruguai, onde o Colégio tinha outras unidades. Minha mãe me deu de presente uma Olivetti portátil. O resultado: eu nunca mais quis escrever.

Hoje eu não consigo me lembrar bem o que eu senti. Mas sei que a exposição me incomodou muito. O livro era baseado nos personagens que travavam diálogos na minha cabeça. Eu ficava horas no quarto criando histórias e desenhando. Era tudo muito pessoal para compartilhar com outras pessoas. Uma coisa era mostrar os meus gibis e livrinhos pros meus pais, minha irmã, meus tios. Outra coisa era centenas de desconhecidos lerem esses diálogos que eu criava.

Só voltei a escrever ficção quando fui estudar Filosofia. Fiz um trato comigo mesmo de, à parte o excesso de textos teóricos com os quais nos defrontamos no ensino superior, sempre ler e escrever ficção. Assim, arrisquei alguns contos em jornaizinhos de diretórios acadêmicos, publiquei algumas ilustrações e tirinhas em quadrinhos. Descobri o ensaio e comecei a arriscar algumas opiniões. Tudo muito ruim, mas de certa maneira eu não tinha mais vergonha. Eu começava a ter meus primeiros interlocutores, e isso me motivava a expor os escritos ainda mais.

Em 2004, colecionei alguns desses contos e reuni num livrinho. Tudo muito ruim. Hoje, eu tiraria 2 contos desse livro que publiquei e reescreveria. O resto eu simplesmente jogaria fora. Mas a experiência de ter um livro publicado foi muito interessante. Depois de encontrar uma editora pequena que praticamente não tinha esquema de distribuição, escrevi um projetinho sobre a função social da literatura pra conseguir acesso a um financiamento para o meu livro. As vendas pagaram o financiamento e também financiaram a montagem da minha biblioteca. Se não fiquei rico, usufruí bem do dinheiro das vendas. Mas eu achava estranho vender o meu livro.

A experiência também foi boa para encontrar mais interlocução. O livro foi adotado em cerca de três escolas, e os encontros com os estudantes leitores foram extremamente positivos. Se eu publicaria o livrinho de novo? Não. Pra ser honesto, tenho vergonha desse livro, o Eram os deuses escritores?, de 2004. Não é que eu tenha ficado exigente, não é o mercado editorial. O livro é simplesmente ruim mesmo. Mas o ato da publicação em si, foi muito positivo. Se eu não tivesse publicado em 2004, jamais me perguntaria hoje: pra quê publicar?

A coisa ganha em intensidade com a minha súbita profissionalização na área. De repente encontro-me traduzindo um livro, negociando contratos de tradução no Brasil e na Alemanha, terminando uma nova coleção de contos do qual não me envergonho nem um pouco.

E assim, os limites e as fronteiras entre o ato de produzir arte e o momento de tornar a obra de arte num produto para ser consumido torna-se um problema.

Apenas para exemplificar: estou trabalhando n’Os pequenos deuses da trapaça, o meu novo livro de contos, há cerca de quatro anos. Ainda vou levar alguns meses para finalizar 3 dos 9 contos que o compõem. É um trabalho meticuloso, cuidadoso. Escrevo e reescrevo cada palavra com muito zelo. E é um trabalho ao mesmo tempo prazeroso e doloroso. Me deixa muito cansado, porque cada palavra ali é uma gota de sangue. Se o livro peca por ser extremamente pretensioso, ele se redime na sua sinceridade. Se muitos vão dizer que ele é um tratado chato sobre paradoxos e enigmas (os leitores preguiçosos vão dizer que ele é muito “acadêmico”), outros vão entrar na brincadeira e perceber o quão sincero ele é. Mas sempre que tiro algumas horas para trabalhar em algum conto, eu me pergunto: como vou publicar este livro? E mais: vale a pena publicá-lo? O que eu quero ao publicá-lo? Qual o objetivo de tornar algo tão pessoal público? O que eu escrevo tem valor financeiro? Porque? É importante atribuir valor ao que escrevo? Que tipo de valor? Econômico? Moral? Pessoal? Quero ser premiado? O que escrevo tem alguma função social? Posso mudar a vida de alguém? Posso mudar o mundo? Quero só deixar algum recado antes de morrer? Uma marca?

São muitas as questões – alguns problemas importam, outros são falsos problemas. Algumas perguntas serão respondidas e outras lidarão para outras perguntas. Algumas questões serão reformuladas.

A caixa de comentários, claro, está aberta e ávida por suas reflexões. A série se desdobra ao longo do ano. Fique de olho.

*O quadro que ilustra o artigo é “Valores pessoais”, de René Magritte.

Estante:

DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Felix. Anti-Oedipus: capitalism and schizophrenia. New York: Penguin Classics, 2009.

DONOGHUE, Frank. The last professors: the corporate university and the fate of the humanities. New York: Fordham University Press, 2008.

FOUCAULT, Michel. The order of things: an archaeology of the human sciences. New York: Vintage, 1994.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREUD, Sigmund. Civilization and its discontents. New York: Norton, 1989.

HYDE, Lewis. The gift: creativity and the artist in the modern world. New York: Vintage, 2007.

ZIZEK, Slavoj. The plague of fantasies. New York: Verso, 2008.